China anuncia tarifa adicional de 55% sobre importações de carne bovina do Brasil
Medida chinesa cria cotas por país para proteger indústria local e pode impactar exportações brasileiras a partir de janeiro de 2026.
31/12/2025 - 09:26
O Ministério do Comércio da China divulgou que irá impor tarifas adicionais de até 55% sobre as importações de carne bovina de países como Brasil, Austrália e Estados Unidos quando os embarques ultrapassarem cotas específicas estabelecidas para cada fornecedor. A medida entra em vigor em 1º de janeiro de 2026 e terá validade de três anos, como parte de uma política de salvaguarda comercial para proteger a indústria doméstica contra o excesso de oferta importada.
Para 2026, a China estabeleceu uma cota total de 2,7 milhões de toneladas métricas de carne bovina, com o Brasil recebendo a maior fatia, de 41,1% desse total, seguido pela Argentina (19,0%) e Uruguai (12,1%). Esses limites significam que importações acima dessas quantidades poderão sofrer a tarifa extra de 55%, além das tarifas normais aplicáveis dentro da cota.
A decisão ocorre em meio a um contexto de investigação iniciada pelo governo chinês no final de 2024 sobre o impacto das importações de carne bovina na cadeia local de produção, que concluiu haver um aumento expressivo dos volumes importados, gerando pressões para os criadores nacionais. A salvaguarda visa equilibrar o mercado interno e responder ao excesso de oferta, segundo as autoridades chinesas.
Embora a China seja o principal destino das exportações brasileiras de carne bovina — tendo importado cerca de 1,34 milhão de toneladas em 2024 — a imposição de cotas e sobretaxas pode afetar o fluxo comercial e as receitas do setor se as exportações superarem os limites definidos. O governo brasileiro e frigoríficos estão monitorando o impacto da medida, que poderá influenciar preços internacionais, estratégias de mercado e relações comerciais entre os dois países.