Governo quer transformar Enamed em exame de proficiência após reprovação de 30% dos cursos de medicina
Atualmente o Enamed funciona como instrumento de avaliação da qualidade dos cursos de medicina
23/01/2026 - 09:52
O governo federal anunciou intenção de propor ao Congresso Nacional que o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) seja também utilizado como um exame de proficiência obrigatório para médicos recém-formados, de modo que o registro profissional passe a depender do desempenho nessa avaliação. Atualmente o Enamed funciona como instrumento de avaliação da qualidade dos cursos de medicina, mas a mudança proposta vincularia diretamente a aprovação no exame à habilitação para o exercício da medicina no Brasil.
A proposta surge após os resultados da primeira edição do Enamed, aplicada em 2025, mostrarem que cerca de 30% dos 351 cursos de medicina avaliados tiveram desempenho insatisfatório, com notas consideradas baixa proficiência — especialmente entre instituições privadas e municipais, enquanto universidades públicas federais e estaduais se destacaram com melhores resultados. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a ideia é aproveitar a discussão em curso no Congresso sobre a criação de um exame de proficiência (Profimed) para apresentar uma versão que utilize o próprio Enamed, com provas ao longo da formação (segundo, quarto e sexto anos).
Padilha destacou que a proposta ainda depende de mudanças na legislação brasileira e, portanto, não se aplicaria aos resultados de 2025, mas às edições futuras do exame. Ele também ressaltou que, além do Enamed, outras medidas como novas diretrizes curriculares e a integração do resultado do Enamed no Exame Nacional de Residência (Enare) fazem parte de um conjunto de ações para elevar a qualidade da formação médica no país.