Brasil registra maior número de mortes no trânsito em 8 anos; Nordeste lidera pela primeira vez
Um estudo com dados do Ministério da Saúde mostra que, em 2024, o país atingiu o maior total de mortos no trânsito desde 2016, com o Nordeste superando outras regiões em número absoluto de óbitos.

27/01/2026 - 08:58

Brasil registra maior número de mortes no trânsito em 8 anos; Nordeste lidera pela primeira vez

Em 2024, o Brasil voltou a registrar um aumento expressivo no número de mortos no trânsito, alcançando 37.150 óbitos, o maior total em oito anos, segundo dados reunidos pela organização Vital Strategies com base em números do Ministério da Saúde. Esse total representa cerca de 6,5% a mais que as 34.881 mortes registradas em 2023, aproximando-se do recorde de 37.345 óbitos observado em 2016. Especialistas afirmam que essa alta interrompe uma tendência de estabilidade dos anos anteriores, sinalizando retroceso nas conquistas de segurança viária no país.

Pela primeira vez na série histórica, a região Nordeste tornou-se a líder em número absoluto de mortes no trânsito no Brasil, com 11.894 óbitos em 2024, superando a tradicional liderança do Sudeste, que registrou 10.995 mortes, apesar de ter uma frota de veículos muito maior (cerca de 59 milhões, contra 22,3 milhões no Nordeste). A predominância da mortalidade no Nordeste tem sido atribuída especialmente ao elevado número de mortes envolvendo motociclistas, que representam a maior parte dos casos registrados na região.

O cenário também revela disparidades entre regiões quando se considera a taxa de mortalidade por habitantes: o Centro-Oeste tem a maior taxa, com 24,5 mortes por 100 mil habitantes, enquanto o Sudeste registra a menor taxa (12,4 por 100 mil). Os dados sugerem que fatores como deficiências na infraestrutura viária, fiscalização insuficiente e o uso cada vez maior de motocicletas — veículo mais vulnerável em colisões — contribuem diretamente para o aumento das fatalidades.

Diante desses números, autoridades e especialistas reforçam a necessidade de políticas públicas mais robustas para reduzir a violência no trânsito. Entre as medidas defendidas estão o fortalecimento da fiscalização de velocidade e de habilitação, melhorias na infraestrutura das vias e ações educativas que incentivem comportamentos mais responsáveis. O governo federal citou ainda programas em andamento, como o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans) e a Semana Nacional de Prevenção a Sinistros com Motociclistas, como parte da estratégia para reverter a tendência negativa.

Especialistas alertam que, sem uma atuação integrada e sustentada entre governos federal, estaduais e municipais, será difícil reverter o aumento de mortes no trânsito e alcançar metas internacionais de redução de fatalidades até 2030. A análise dos dados e o acompanhamento sistemático das políticas de segurança viária são apontados como passos essenciais para salvar vidas nas estradas e vias urbanas de todo o país.

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