Conta de luz pode subir até 20% após leilão bilionário de energia
Estudo da Fieg alerta que contratação de energia de reserva pelo governo federal pode elevar tarifas para consumidores residenciais e indústrias

29/05/2026 - 10:52

Conta de luz pode subir até 20% após leilão bilionário de energia

A conta de energia elétrica pode ficar mais cara nos próximos anos após um leilão promovido pelo governo federal para contratação de energia de reserva. Um estudo técnico divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) aponta que o impacto pode representar aumento de pelo menos 10% para consumidores residenciais e chegar a 20% para o setor industrial.

Segundo o levantamento, o chamado Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026) contratou cerca de 19,5 gigawatts (GW) de energia de reserva, volume considerado muito acima da demanda atual estimada, que seria de até 3 GW. A Fieg afirma que o custo inicial do contrato pode alcançar R$ 517 bilhões, podendo chegar a R$ 1 trilhão em cenários de crise hídrica. Todo esse valor seria repassado gradualmente aos consumidores por meio das tarifas de energia.

A entidade também critica o modelo adotado pelo governo federal por favorecer usinas movidas a combustíveis fósseis, como diesel e gás natural. Para especialistas do setor, a medida aumenta a dependência de fontes mais caras e vulneráveis às oscilações do mercado internacional, além de pressionar ainda mais os custos da energia elétrica no país.

Além do leilão, outros fatores também pressionam o preço da conta de luz em 2026. Analistas apontam riscos hidrológicos, possibilidade de redução no nível dos reservatórios das hidrelétricas, acionamento de termelétricas e crescimento dos subsídios do setor elétrico como elementos que podem elevar ainda mais as tarifas. Em cenários climáticos adversos, projeções do mercado estimam reajustes que podem superar a inflação oficial do país.

A preocupação com o aumento das tarifas ocorre em um momento de pressão sobre o orçamento das famílias e sobre os custos da indústria brasileira. O tema também gera debates sobre política energética, sustentabilidade e impactos econômicos no consumo e na inflação.

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