O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre a maior parte das importações brasileiras que entram no mercado norte-americano. A medida foi anunciada após a conclusão de uma investigação comercial baseada na chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, instrumento utilizado para apurar práticas consideradas injustas por outros países.
Segundo o governo americano, a proposta está relacionada a questionamentos sobre políticas brasileiras envolvendo comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e ações de enfrentamento ao desmatamento ilegal. Na avaliação do USTR, essas práticas poderiam impor restrições ao comércio dos Estados Unidos.
A proposta prevê exceções para alguns produtos considerados estratégicos ou enquadrados em regras de segurança nacional. Entre os itens que ficariam de fora da tarifa estão commodities como café, carne bovina, determinadas frutas, nozes, especiarias, petróleo e minérios metálicos.
Apesar do anúncio, a taxação ainda não entrou em vigor. O governo norte-americano realizará consultas públicas e audiências antes de uma decisão final. A audiência está prevista para 6 de julho, enquanto a definição sobre eventuais medidas corretivas deve ocorrer até 15 de julho. Caso seja confirmada, a medida poderá afetar setores exportadores brasileiros e ampliar as tensões comerciais entre os dois países.