EUA passam a tratar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas
Classificação entrou em vigor nesta sexta-feira e amplia sanções contra as facções brasileiras, com possíveis impactos financeiros, diplomáticos e na cooperação internacional de combate ao crime.
05/06/2026 - 09:33
Os Estados Unidos passaram a considerar oficialmente, a partir desta sexta-feira (5), as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras. A medida foi anunciada anteriormente pelo Departamento de Estado norte-americano e entrou em vigor após sua publicação oficial, elevando o nível de restrições aplicadas aos grupos criminosos.
Com a nova classificação, qualquer pessoa, empresa ou instituição financeira sob jurisdição dos Estados Unidos fica proibida de fornecer apoio material, financeiro ou logístico às organizações. Além disso, ativos eventualmente vinculados às facções podem ser bloqueados, e transações suspeitas passam a ser alvo de fiscalização mais rigorosa por autoridades americanas. Especialistas apontam que a medida fortalece o cerco internacional contra os fluxos financeiros utilizados pelo crime organizado.
O governo dos Estados Unidos justifica a decisão afirmando que PCC e CV possuem atuação transnacional, influência em diversos países e envolvimento em atividades criminosas que ultrapassam as fronteiras brasileiras. Segundo o secretário de Estado, Marco Rubio, as facções estão entre as organizações criminosas mais violentas da América Latina.
A medida, entretanto, gerou reação do governo brasileiro. Autoridades argumentam que as facções são organizações criminosas e não grupos terroristas, já que sua principal motivação é o lucro obtido por meio de atividades ilegais, e não objetivos políticos ou ideológicos. O governo também manifestou preocupação com possíveis reflexos sobre a soberania nacional e sobre a cooperação entre órgãos de segurança dos dois países.
Pesquisas de opinião indicam que a decisão divide os brasileiros. Levantamento divulgado nesta semana mostrou que pouco mais da metade da população aprova a classificação das facções como organizações terroristas, enquanto uma parcela significativa demonstra preocupação com possíveis impactos na soberania do país e nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.