Um terço das rodovias de Goiás tem estrutura insuficiente para reduzir gravidade de acidentes, aponta CNT
Levantamento mostra que mais de 2,6 mil quilômetros de estradas goianas apresentam baixo “índice de perdão”, conceito que avalia a capacidade da via de minimizar as consequências de falhas humanas ou mecânicas.
09/06/2026 - 10:11
Um levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) revelou que 34,6% das rodovias pavimentadas avaliadas em Goiás possuem baixo índice de perdão, ou seja, não contam com infraestrutura adequada para reduzir os danos causados por acidentes. A pesquisa analisou 7.684 quilômetros de estradas no estado e constatou que 2.662 quilômetros estão nessa condição, enquanto 49,3% apresentam índice médio e apenas 16% possuem alto nível de segurança passiva.
O índice de perdão é uma metodologia que mede a capacidade das rodovias de “perdoar” erros humanos ou falhas mecânicas, por meio de elementos como acostamentos, defensas metálicas, barreiras de proteção, sinalização adequada e áreas de escape. Quanto melhor a infraestrutura disponível, menores tendem a ser as consequências de um acidente. O estudo aponta que as rodovias concedidas à iniciativa privada apresentam os melhores resultados, enquanto as estradas sob gestão pública concentram os piores indicadores.
Nas rodovias estaduais goianas, a situação é ainda mais preocupante. Apenas 3,4% da extensão analisada recebeu classificação de alto índice de perdão, enquanto 46,9% foram enquadradas no nível mais baixo de segurança. Entre os fatores que mais comprometem a proteção dos usuários estão a ausência de acostamentos, a falta de barreiras de contenção e a deficiência na sinalização de curvas e trechos considerados perigosos.
A pesquisa cita exemplos como as rodovias GO-010 e GO-040, onde há trechos com curvas acentuadas, pouca visibilidade e ausência de estruturas de proteção. Em Goiás, quase metade da malha avaliada não possui acostamento, dificultando manobras de emergência e aumentando os riscos em situações de pane mecânica ou perda de controle do veículo. Além disso, cerca de 47% das curvas consideradas perigosas não contam com sinalização de advertência adequada.
Em resposta aos dados, a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) informou que já desenvolve ações para ampliar a segurança viária, incluindo duplicações, implantação de terceiras faixas, reforço da sinalização, instalação de passagens de fauna e modernização da fiscalização eletrônica. O órgão também afirmou que pretende utilizar os resultados da pesquisa para direcionar futuras intervenções e priorizar obras em trechos considerados mais críticos.