EUA anunciam sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros por suposto uso de trabalho forçado
Nova medida comercial entra em vigor nesta sexta-feira e pode elevar para até 37,5% a carga tarifária sobre parte das exportações brasileiras para o mercado norte-americano.

24/07/2026 - 10:23

EUA anunciam sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros por suposto uso de trabalho forçado

Os Estados Unidos anunciaram uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, alegando que o Brasil falhou em impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A medida foi confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) na quinta-feira (23) e passa a valer nesta sexta-feira (24). A decisão faz parte de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que trata de práticas consideradas desleais nas relações comerciais internacionais.

A nova tarifa será aplicada além das medidas comerciais já impostas anteriormente pelos norte-americanos. Com isso, a carga tributária sobre determinados produtos brasileiros poderá chegar a 37,5%, somando a tarifa de 25% anunciada anteriormente e a nova sobretaxa. Segundo o governo dos Estados Unidos, a medida foi adotada porque o Brasil não teria implementado ou aplicado de forma eficaz mecanismos para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado em sua cadeia de importação.

A decisão afeta o Brasil e outros 59 países, incluindo Argentina, China, Canadá e membros da União Europeia. Além da questão relacionada ao trabalho forçado, a investigação norte-americana também analisou temas como comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol, desmatamento ilegal e políticas públicas brasileiras, entre elas o sistema de pagamentos Pix, apontado pelo USTR como um fator de desvantagem competitiva para empresas norte-americanas do setor financeiro.

O governo brasileiro informou que continuará negociando com Washington para evitar que a nova sobretaxa seja cumulativa com outras tarifas já em vigor. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter o diálogo diplomático e comercial com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que o Plano Brasil Soberano prevê medidas de apoio aos setores exportadores que possam ser afetados pela decisão.

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