Mais de 1,2 mil crianças de até 14 anos vivem em situação de casamento infantil em Goiás
Meninas representam 77,9% dos casos registrados pelo Censo; campanha do UNFPA e do Ministério Público de Goiás alerta para os impactos das uniões precoces

07/10/2026 - 10:18

Mais de 1,2 mil crianças de até 14 anos vivem em situação de casamento infantil em Goiás

Mais de 1,2 mil crianças de 10 a 14 anos vivem em união conjugal em Goiás, segundo dados do último Censo divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao todo, são 1.241 crianças nessa situação, sendo 965 meninas, o equivalente a 77,9% dos casos. Entre os meninos, foram registrados 274 casos, ou 22,1%.

A taxa registrada em Goiás é de 17,6 crianças vivendo em união conjugal para cada 100 mil habitantes nessa faixa etária. O levantamento considera também situações em que crianças e adolescentes passam a morar com um companheiro sem formalizar a relação em cartório. Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a falta de registro dificulta a identificação de todos os casos.

De acordo com o Ministério Público de Goiás, dificuldades econômicas e sociais podem contribuir para algumas uniões precoces. A situação pode afetar a continuidade dos estudos, principalmente quando acompanhada de gravidez, além de dificultar a entrada no mercado de trabalho e a construção de independência financeira. O MP-GO afirma atuar com secretarias municipais e estaduais em ações de prevenção, orientação, educação, planejamento de vida e acompanhamento na área da saúde.

Dados da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-BR) mostram ainda que 123 menores de idade se casaram formalmente em Goiás no primeiro trimestre de 2023. Em 117 desses registros, havia um adulto e uma pessoa menor de idade. A campanha “Casamento é coisa de adulto”, promovida pelo UNFPA e pelo Ministério Público de Goiás, busca ampliar a discussão sobre o tema e chamar atenção para uniões que podem ocorrer sem registro oficial.

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