Protestos se espalham pela Europa e pressionam governos diante do custo de vida e da crise nos serviços públicos
Manifestações reúnem estudantes, trabalhadores e sindicatos em países como França, Espanha, Itália, Bélgica, Portugal e Albânia. Alta dos preços, dificuldade de acesso à moradia e cortes orçamentários estão entre as principais reivindicações.
20/10/2026 - 10:47
Uma onda de protestos em diferentes países europeus tem ampliado a pressão sobre os governos diante do aumento do custo de vida, da deterioração dos serviços públicos e da dificuldade de acesso à educação e à moradia. As mobilizações ganharam força a partir de setembro, inicialmente na região de Paris, na França, e se espalharam para outros países, com a participação de estudantes, trabalhadores e sindicatos. Embora tenham causas específicas em cada local, as manifestações compartilham a insatisfação com as condições de vida e a falta de perspectivas, especialmente entre os jovens.
Na França, os protestos começaram com reivindicações relacionadas à falta de professores, à superlotação das salas de aula, à precariedade dos prédios escolares e às dificuldades de ingresso no ensino superior. A mobilização incorporou críticas à inflação, aos salários e aos cortes de despesas públicas. O governo francês prepara um ajuste orçamentário de aproximadamente 54 bilhões de euros para 2027, combinando redução de gastos e medidas tributárias, enquanto também busca ampliar os investimentos em defesa.
Na Espanha, a crise habitacional impulsionou manifestações por controle dos preços dos aluguéis, proteção contra despejos e ampliação da oferta de moradias acessíveis. Um dos episódios que ganhou repercussão foi o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, de um apartamento em Madri onde vivia havia mais de sete décadas. O aluguel passou de 440 para 1.650 euros mensais, um aumento de 275%. Ela morreu em 7 de outubro, duas semanas após deixar o imóvel. O primeiro-ministro Pedro Sánchez apresentou medidas emergenciais para enfrentar o problema, mas elas foram rejeitadas pelo Parlamento.
Na Bélgica, estudantes protestam contra o aumento dos custos educacionais e reformas que, segundo eles, dificultam o acesso e a permanência no ensino superior. Na Itália, as manifestações ocorreram em cidades como Roma, Milão, Florença, Bolonha, Gênova e Turim, com críticas ao custo de vida, aos salários e às condições da educação pública. Em Portugal, a dificuldade de acesso à moradia e os baixos salários também motivaram mobilizações, incluindo um acampamento de manifestantes na Praça do Rossio, em Lisboa. Os preços dos imóveis portugueses aumentaram aproximadamente 124% entre 2015 e 2024.
Na Albânia, os protestos incluem reivindicações por melhores condições nas universidades, mais oportunidades de emprego e a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama. Manifestantes acusam o governo de corrupção e favorecimento de interesses privados. Em diferentes países, os atos também incorporam críticas às prioridades de gastos públicos, com participantes defendendo mais recursos para proteção social e serviços essenciais, em vez de investimentos militares.l
Segundo dados do Eurostat citados pela CNN Brasil, os preços de alimentos e bebidas não alcoólicas na União Europeia aumentaram 34% entre agosto de 2021 e agosto de 2026. Os governos enfrentam o desafio de equilibrar as contas públicas, manter serviços sociais e ampliar os gastos com defesa. Outro fator estrutural é o envelhecimento da população, que reduz proporcionalmente o número de trabalhadores responsáveis por financiar sistemas de previdência, saúde e assistência. Nesse cenário, a imigração ordenada é apontada como uma das possíveis respostas aos desafios demográficos, mas enfrenta resistência de partidos de direita radical em diversos países.