Defesa de Daniel Vorcaro aciona comissão internacional para tentar revogar prisão e aponta violações de direitos
Advogados recorrem à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e pedem intervenção junto ao Brasil; defesa questiona demora do STF na análise do pedido de liberdade
03/11/2026 - 10:49
A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, apresentou uma petição à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA), para denunciar supostas violações de direitos e tentar revogar a prisão preventiva. O pedido foi apresentado na segunda-feira (2) e busca uma intervenção junto ao Estado brasileiro. Os advogados alegam que a manutenção da prisão, sem análise do pedido de liberdade, compromete garantias fundamentais do investigado.
Na manifestação, a defesa aponta sete supostas violações, incluindo as condições de custódia, o vazamento de conversas privadas extraídas do celular apreendido e a ausência de resposta ao pedido de liberdade apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 18 de setembro. Os advogados também questionam a falta de revisão da prisão preventiva a cada 90 dias, conforme previsto na legislação, e afirmam que o caso permanece sem uma decisão judicial em prazo razoável. A defesa solicita que a comissão peça ao Estado brasileiro que um juiz competente analise o pedido de liberdade em até cinco dias ou determine a substituição da prisão por medidas cautelares.
A Comissão Interamericana não tem poder para determinar diretamente a soltura de Vorcaro, mas pode analisar as alegações e avaliar eventual responsabilidade do Estado brasileiro por violações de direitos humanos. A defesa também pede que cessem os vazamentos de informações privadas, que comunicações entre o banqueiro e seus advogados sejam retiradas dos autos e que os dados originais das provas sejam preservados e disponibilizados. Vorcaro está preso preventivamente desde março de 2026, por ordem do ministro André Mendonça. Na semana passada, a Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito e indiciou o banqueiro por crimes financeiros, com penas que podem chegar a 42 anos de prisão. O caso deve ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República, responsável por avaliar eventual denúncia. Vorcaro nega ter cometido crimes e afirma que não provocou prejuízos ao Banco de Brasília (BRB).