Crise bancária no Paraguai provoca pedido de impeachment contra presidente Santiago Peña
Oposição acusa o presidente de conflito de interesses e irregularidades relacionadas à intervenção no banco digital Ueno, que deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso aos recursos.

05/11/2026 - 09:13

Crise bancária no Paraguai provoca pedido de impeachment contra presidente Santiago Peña

Parlamentares da oposição do Paraguai apresentaram um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña, em meio à crise provocada pela intervenção no banco digital Ueno. Ao todo, 35 deputados assinaram o documento de acusação e solicitaram a convocação de uma sessão extraordinária da Câmara para esta quinta-feira (5). O grupo considera o presidente responsável pelo agravamento da situação, que deixou milhares de correntistas sem acesso ao dinheiro depositado na instituição.

O banco Ueno, controlado pelo Grupo Vázquez, encerrou as atividades na terça-feira (3), após o Banco Central do Paraguai iniciar o processo de liquidação da instituição. A decisão ocorreu depois da identificação de problemas nos índices de solvência, relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas. O banco possuía aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. Peña foi acionista do grupo proprietário da instituição até março de 2025.

Entre as acusações apresentadas pela oposição estão conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central. Para que o processo de impeachment avance na Câmara, é necessária maioria qualificada de dois terços dos deputados. Ainda não há definição sobre o apoio da bancada governista à iniciativa.

Diante da crise, Peña afirmou que os responsáveis pelas irregularidades serão responsabilizados perante a Justiça e promulgou uma lei para acelerar a devolução dos recursos aos clientes do banco. O episódio também provocou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e a prisão de oito dirigentes da instituição. Além disso, a Procuradoria formalizou acusações contra 27 pessoas ligadas ao banco, e a Justiça determinou o bloqueio dos bens dos investigados. Apesar da preocupação e da transferência de recursos para outras instituições, a Associação de Bancos do Paraguai afirmou que o sistema financeiro do país continua operando normalmente.

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